Vocês já pararam para recordar como era conversar com um amigo ou amiga antes da
popularização dos smartphones? É difícil pensar em como vivíamos em uma época a qual
não era possível enviar uma mensagem no grupo do WhatsApp para marcar a saída de
quinta à noite ou fazer um FaceTime com aquele amigo que está fazendo intercâmbio. Esses
dois casos estavam muito longe da nossa realidade pouco mais de 10 anos atrás e isso nos faz
imaginar: o que teremos para os próximos 10 anos?

O ano era 2003, Kelly Rowland enviava SMS, ou como o Faustão chamava no Brasil: o
famoso torpedo, por uma tabela do Excel no clipe da música Dilemma (mais especificamente
aos 3min15s do vídeo). Nessa época, o torpedo era pago, cerca de R$0,50 cada um, a
ligação era mais cara se fosse feita de telefone fixo para celular ou de celular para celular e
videochamada? Pelo menos na minha realidade do interior, não era nem possível. O MSN
era utilizado somente aos fins de semana, sábado depois das 14:00 e domingo durante o dia,
depois de muito ouvir aquele barulhinho do modem até conseguir conexão. Conversar com
um amigo e marcar de sair, com supervisão dos pais, se não fosse presencialmente, na escola
ou com vizinhos, era muito mais complicado.

Mudamos para 2007, o conceito de smartphone era, até janeiro desse ano, celulares
com teclado alfanumérico fixo, rodando Windows Mobile, Palm OS ou BlackBerry OS, as
telas eram pequenas e os aparelhos eram voltados para o mercado executivo. Em janeiro
desse ano, durante a exposição Macworld, Steve Jobs (2011, fundador e ex-CEO da Apple,
Next e Pixar) mostrou ao mundo o primeiro iPhone. O aparelho revolucionou a forma como
interagíamos com nossos celulares. Começou, nesse momento, a era do smartphone.

Cerca de um ano depois, o Google anunciou a primeira versão do Android como
conhecemos hoje. Esse também foi um marco para essa nova era, visto que o iPhone sempre
foi um smartphone de luxo, o Android veio a suprir a demanda do segmento de baixo custo.
As redes 3G começaram a se popularizar em todo o planeta e o WiFi não era algo restrito
para as residências dos mais bem afortunados. Se a era do smartphone havia começado em
2007, foi a partir de 2008 que nós começamos a modificar nossos hábitos interpessoais.

O mercado e a população se adaptaram, smartphones começaram a aparecer cada vez
mais nas mãos das pessoas nas ruas e as lojas de aplicativos permitiram o surgimento do
WhatsApp, do iMessage, do FaceTime e do Messenger. As companhias tiveram que se
adaptar, os planos passaram a oferecer ligações ilimitadas, a demanda por dados aumentou
exponencialmente, se antes conectávamos à internet apenas aos fins de semana, passamos a
querer ficar conectados durante 100% do tempo, o SMS e as ligações foram substituídos,
agora temos possibilidade de enviar não apenas mensagens de texto, mas fotos, vídeos, GIFs e
até fazer ligações de vídeo em tempo real. Nossas amizades se tornaram cada vez mais
virtuais e menos presenciais, encontrar os amigos pessoalmente? Isso merece até um evento.
Marcado na agenda? Claro que não! Criado e compartilhado no Facebook, para que todos
tenhamos acesso.

Para os próximos anos, vemos a tendência dos dispositivos com realidade aumentada: a
Microsoft com o já lançado HoloLens e Apple e Google com seus dispositivos dedicados
ainda em desenvolvimento. A realidade aumentada, RA, é a integração do mundo real com
elementos virtuais, um exemplo básico e de demonstração inicial do futuro dessa tecnologia,
já presente nos nossos smartphones, é o jogo Pokémon Go, o qual é possível visualizar os
pokémons interagindo com o ambiente ao nosso redor. No contexto das nossas amizades, é
possível pensar no futuro onde cada um de nós teremos um dispositivo de RA e estaremos
reunidos, virtualmente, numa sala para assistirmos a filmes juntos. Por que se deslocar até o
cinema, se podemos ter a companhia dos amigos, inseridos como hologramas no nosso
próprio sofá, a tela gigante exibida na parede diante da gente e o som com capacidade
tridimensional diretamente nos nossos fones de ouvidos? Esse é o futuro que a tecnologia nos
reserva, provavelmente em menos de 10 anos, mas isso nos faz questionar: seremos mais
antissociais por conta disso? Como vamos aprender a conviver em sociedade se estamos cada
vez mais distante dela? Como teremos filhos se nossos contatos são cada vez menos pessoais?

Toda essa mudança nos nossos hábitos começou com a popularização dos
smartphones, lá em 2007, estamos no final de 2018 e começamos a vislumbrar o que teremos
em 2028, mas ainda precisamos encaixar na nossa realidade como faremos para não
perdermos nossa essência humana até lá: somos seres altamente dependentes das relações
pessoais e estamos caminhando para que essas relações se tornem cada vez menores. Isso é
muito Black Mirror!

por Cássio Francklin, Analista de Engenharia da SmartTel Jr.

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Bitnami